
Paloma Restani
Talvez o maior erro seja esse: falar em certo ou errado quando o assunto é corrida. Pessoas são diferentes; o lado direito do corpo é diferente do lado esquerdo. Não é simétrico. A mecânica, portanto, vai ser diferente. Não existe a “passada perfeita”.
Usar o calcanhar ou o antepé para aterrissar tem suas vantagens e desvantagens. Explorá-las depende das características de cada um. Não existe uma forma que seja adequada para todos. De novo: não tem certo ou errado.
O joelho pode sim ir para dentro ou os pés podem sim ir para fora. Não é isso que necessariamente pode trazer alguma lesão ou diminuir a performance. As alterações posturais trazem uma demanda maior para os músculos; mas, se o corpo estiver preparado para isso, seus músculos irão absorver essa sobrecarga, sem problemas.
Cruzar os braços na frente do tronco, cadência mais alta ou mais baixa, passo maior ou menor, oscilação vertical (o corpo “subir e descer” mais), inclinação do tronco – todos esses dados são importantes e devem ser levados em consideração, mas também devem ser interpretados de forma correta (aqui sim cabe o certo e errado) e específico para cada pessoa.
O que não dá é para se comparar a atletas profissionais. A preparação é outra, as características são outras. Mas, se reparar bem, veremos que a recordista mundial da maratona cruza os braços, o homem mais rápido do mundo pisa com o calcanhar... e por aí vai.
Cuidado com as ditaduras da corrida! Com os perfis/ profissionais/ regras que impõem o “certo”. Certo e errado é relativo, e as ciências do esporte evoluíram muito nos últimos anos. Não existe verdade absoluta. Saiba interpretar os fatos e os dados! Corra por você. Para você. Até onde der. O errado é não correr!
Paloma Restani
CREFITO 3 / 288590-F
Fisioterapeuta Esp. em Ortopedia, Traumatologia e Esportiva
Fisioterapeuta ATLETINHAS
Centro de Treinamento e Reabilitação
Atleta Amadora de Corrida
@drapalomarestani