
Fabio Moda Magnoni
Professor, Mestre em Educação pela UFSCar
A presença da Inteligência Artificial (IA) na educação básica já é uma realidade, presente nas ferramentas utilizadas por estudantes e professores e na produção de conteúdos. O desafio não é apenas decidir se a escola deve utilizá-la, mas como fazê-lo sem substituir a essência da educação: a formação humana.
Nesse contexto, surge uma questão fundamental: como aprender quando produzir uma resposta já não exige necessariamente pesquisa, reflexão e elaboração? Se a IA pode escrever ou explicar em segundos, torna-se essencial ensinar os estudantes a pensar, questionar e avaliar as informações que recebem. Não se trata, portanto, de proibir a tecnologia, mas de ensinar seu uso crítico, ético e responsável. A escola deve formar estudantes capazes de utilizar a IA sem serem dominados por ela.
Nesse cenário, leitura crítica, interpretação, argumentação e capacidade de formular perguntas tornam-se ainda mais importantes, pois uma resposta produzida por IA pode conter erros ou argumentos sem fundamento. Respostas vazias!!! (com o perdão do excesso de exclamações)
Paradoxalmente, quanto mais poderosa se torna a tecnologia, mais necessária é a formação humana. Cabe ao ser humano avaliar o que é pertinente, ético e responsável. A IA também pode ser uma oportunidade pedagógica, auxiliando professores na criação de atividades e estudantes na investigação e revisão. Seu uso, porém, deve estimular, e não substituir, a reflexão. Nesse cenário, o papel do professor torna-se ainda mais relevante: mais do que transmitir informações, cabe a ele atuar como mediador e formador de sujeitos capazes de pensar criticamente.
A pergunta central, portanto, não é apenas “o que a IA pode fazer pela educação?”, mas “que educação queremos construir em uma sociedade marcada pela IA?”. Educar continua significando formar pessoas capazes de compreender, questionar e transformar o mundo de maneira responsável. Continua...