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QUANDO A PESSOA IDOSA DEIXA DE FAZER SUAS PRÓPRIAS ESCOLHAS

Mas, sem perceberem, começam a retirar da pessoa idosa algo muito valioso: o direito de decidir sobre a própria vida

Publicada em 06/07/26 às 14:27h - 23 visualizações

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QUANDO A PESSOA IDOSA DEIXA DE FAZER SUAS PRÓPRIAS ESCOLHAS
 (Foto: Portal Mundos dos Famosos)

Marcus Vinícius de Almeida Campos

Imagine uma família reunida para decidir algo simples, como: onde será o almoço de domingo? Todos opinam. Menos a pessoa idosa.

Na vida dessa pessoa idosa, é comum que alguém escolha por ela o que vai comer. Outro decide o horário em que deve sair de casa. Um terceiro responde às perguntas que o médico faz durante a consulta, sem sequer esperar que ela fale.

Quase sempre isso acontece por carinho. Os familiares querem proteger, facilitar a rotina e evitar preocupações.

Mas, sem perceberem, começam a retirar da pessoa idosa algo muito valioso: o direito de decidir sobre a própria vida.

Ao longo dos últimos anos, tenho falado bastante nesta coluna sobre autonomia. Foi discutida a importância da força muscular, do equilíbrio, da capacidade de caminhar e de continuar participando da vida social.

Mas existe outra forma de autonomia que muitas vezes passa despercebida. A autonomia para fazer escolhas.

Envelhecer não significa perder automaticamente a capacidade de tomar decisões.

Na verdade, enquanto a pessoa mantém preservadas suas capacidades cognitivas, ela continua tendo o direito de participar das decisões que envolvem sua rotina, sua saúde, seus desejos e seus projetos.

É claro que algumas situações exigem apoio da família, principalmente quando existem doenças que comprometem a memória, o raciocínio ou o julgamento.

Mas isso não deve servir de justificativa para retirar da pessoa idosa todas as oportunidades de escolha.

A perda da autonomia costuma acontecer de maneira silenciosa.

Primeiro alguém decide qual roupa ela deve vestir.

Depois escolhe o que ela vai comer.

Mais tarde passa a responder por ela durante consultas médicas.

Até que chega um momento em que a pessoa já não é mais consultada sobre assuntos importantes da própria vida.

E isso pode produzir consequências que vão muito além da organização da rotina.

Quando alguém deixa de tomar decisões, acaba não exercitando habilidades importantes do cérebro, como planejamento, julgamento, memória e resolução de problemas.

Além disso, a sensação de inutilidade ou de perda de controle sobre a própria vida pode favorecer isolamento, desânimo e redução da autoestima.

É importante compreender que oferecer ajuda é diferente de retirar a autonomia.

Apoiar significa criar condições para que a pessoa continue participando das decisões. O que é bem diferente de decidir em seu lugar, quando ela ainda é capaz de escolher.

Às vezes, pequenos gestos fazem toda a diferença.

Perguntar qual roupa prefere usar.

Qual caminho gostaria de fazer durante uma caminhada.

O que gostaria de preparar para o almoço.

Ou simplesmente ouvir sua opinião antes de tomar uma decisão familiar.

Essas escolhas podem parecer simples.

Mas representam respeito, dignidade e reconhecimento.

O envelhecimento saudável não depende apenas de preservar músculos, ossos e articulações.

Depende também de preservar aquilo que nos torna protagonistas da própria história.

Porque autonomia não é apenas conseguir levantar da cadeira ou caminhar sem ajuda.

É continuar tendo voz.


É continuar sendo ouvido.

É continuar participando das decisões que dão sentido à própria vida.

Envelhecer não deveria significar perder o direito de escolher.

Deveria significar continuar fazendo escolhas, ainda que algumas delas precisem do apoio de quem está ao nosso lado.

Afinal, cuidar de uma pessoa idosa não é decidir por ela.

É ajudá-la a continuar vivendo a vida como protagonista da sua própria história.

 

 

Marcus Vinícius de Almeida Campos

Graduado em Educação Física

Especialista em Nutrição

Doutor em Promoção da Saúde




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