
ARRECADAR OU CONSCIENTIZAR? SALVAR VIDAS OU FAZER DISCURSO?
Paulo Vicente - Presidente da TV Direta
Mococa vive uma sequência inaceitável de acidentes graves e fatais. Isso não pode ser tratado como algo normal. Cada vida perdida destrói famílias, interrompe histórias e deixa marcas que jamais serão apagadas. Quando o assunto é vida, tudo deveria parar — vida não tem preço.
Mas o que vemos é o contrário: falta estrutura, falta planejamento — e principalmente, falta indignação.
Nosso trânsito está abandonado: sem campanhas sérias de conscientização, com sinalização fraca e ultrapassada, com faixas de pedestres mal posicionadas, com semáforos antigos e sem radares nos pontos onde a cidade mais precisa de proteção.
Já multas, essas aparecem.
E essa é a pergunta que fica: o objetivo é arrecadar ou salvar vidas?
A rodovia que corta a cidade é outro símbolo do descaso: uma via urbana, entre bairros, com velocidade de 110 km/h. Acidentes e mortes se repetem enquanto nada muda. Falta cobrança, falta gestão — falta indignação.
Mococa não precisa de mais reportagens.
Precisa de ação.
Porque sem indignação, não existe movimento.
E sem movimento, continuamos perdendo vidas.
É urgente: reduzir velocidades, instalar radares preventivos (não arrecadatórios), modernizar a sinalização, iluminar pontos críticos e tratar cada vida com o respeito que ela merece.
Uma cidade que aceita tragédias como rotina está perdendo mais do que trânsito: está perdendo humanidade.